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12/07/2017 - Férias: 10 livros que convidam para fazer coisas fora do livro

Mas como assim “livros que convidam para fazer coisas fora do livro?”, você pode estar pensando. Pois todo livro já não é assim, já que, se o leitor não imaginar, pouco ou quase nada acontece? E que uma história depende metade de quem escreve e outra metade de quem lê? Afinal, toda história não acontece em parte dentro do livro e em parte fora dele? Sim, sim, e sim.

Porém, não é só desse tipo de “dentro” e “fora” é feita a literatura infantil. Estamos falando de livros que dependem de uma experiência de mediação para acontecer. Ou seja, a criança pode ler sozinha ou acompanhada, mas é a mediação que dita a riqueza do que vai vir.

Há uma série de narrativas que sugerem que a criança complemente a história de fato fazendo alguma coisa. Nessa categoria, muito mais do que os livros interativos que as lojas vendem aos montes, aqueles que emitem sons, pulam, cantam e parecem querer fazer tudo no lugar da criança, existem também aqueles que verdadeiramente respeitam a criança e abrem espaço para ela criar e tomar parte naquela experiência. Livros que despertam um olhar novo para um detalhe que passava despercebido, que convidam à ação, ou que depositam na criança uma interrogação que não acaba só porque o livro chegou ao fim.

Nessas obras, a criança quem protagoniza a experiência, pois são livros que conversam com quem lê, até ousam pedir uma ajuda para avançar para a próxima página ou propõem um desafio que parece maluco: e se o leitor batesse palma, ou apertasse um botão imaginário bem no meio da história? e se os personagens não existissem e ficasse a cargo de quem lê imaginar como eles são? E se quem lê virasse o livro de ponta-cabeça, o que será que iria acontecer? E se?

Como estamos em mês de férias e as crianças estão com muito mais tempo livre, esses livros são um convite à experiência da leitura compartilhada entre pai e filho, mãe e cria, avós e netos, tio e sobrinho, e quem mais quiser entrar na brincadeira.

1. "Clap", de Madalena Matoso (Companhia das Letrinhas)

O encantador "Clap", da portuguesa Madalena Matoso, é a prova de que livros não precisam ter pilhas nem bateria se a intenção é estabelecer a interatividade. E aqui tem muita. Em "Clap", a imaginação é o suficiente para transformá-lo em um multi-objeto, capaz de fazer o que o leitor quiser e passear por onde a história sugerir. No livro, cada página convida o leitor para uma experiência diferente: bater na porta do vizinho, voar como uma borboleta, tocar sanfona ou bumbo, dar um beijinho na página ao lado. Quando menos percebe, o leitor já está emitindo os sons mais esquisitos e reproduzindo onomatopeias que ele nem sabia que existia, sempre seguindo as indicações que o livro dá: “chuak chuak", "clap clap", "bong bong", "fzzzzzzzzzzzzz". Indicado para crianças de todas as idades que estão descobrindo o mundo dos sons e sua relação com os objetos. A edição original é da editora portuguesa Planeta Tangerina, e a publicação chegou ao Brasil pela Companhia das Letras.

2. "O livro com um buraco", de Hervé Tullet (Cosac Naify)

O título não deixa dúvidas: é um livro que tem um buraco no meio. Em cada dupla de páginas, o autor propõe uma interação diferente como o elemento "estranho". Vale colocar o rosto, enfiar o braço, fazer o buraco de cesta de basquete, e principalmente trazer objetos do mundo físico para guardar ali, seguindo as pistas que o próprio livro dá. Tudo conta neste jogo de faz-de-conta que sugere à criança completar o que falta na história. Em uma das duplas de página, a história mostra uma cidade cheia de prédios e um buraco bem no meio, convidando as crianças a preencher com sua própria construção. Em outra, uma grande panela vazia onde os pequenos podem colocar o que quiserem. "O livro com um buraco" é de Hervé Tullet - mesmo autor de "Aperte aqui" e "Sem título", que também aparecem nesta lista -, e foi publicado no Brasil pela Cosac Naify.

3. “Um ano inteiro”, de Isabel Minhós e Bernardo P. Carvalho

De que cor é o chão da sala de casa? Muita gente vai pensar um bom tempo antes de responder a essa pergunta. Então, que tal reparar mais no detalhe e na beleza das coisas que nos cercam? Pensando nisso, o livro é uma agenda de exploração da natureza. Dividido pelas estações do ano, cada módulo contém pequenos exercícios práticos que o leitor deve colocar em ação e depois trazer para dentro do livro, como recolher folhas e gravetos ou observar a labuta das formigas e descrever o que viu. Publicado pela editora portuguesa Planeta Tangerina, o livro tem um antecessor de proposta bem parecida, o "Lá Fora". Os livros ainda não têm edição no Brasil, mas no site da Planeta Tangerina é possível conhecer e baixar o conteúdo do livro. Ideias que servem de inspiração para reeducar o olhar para perceber as sutilezas do mundo. “Acontece muito raramente, mas há livros para crianças que é preciso comprar duas vezes”, disse o crítico Miguel Esteves Cardoso sobre a publicação.

4. "Aperte aqui", de Hervé Tullet (Editora Ática)

Pensa em um livro que provoca uma verdadeira experiência para o bebê! A obra do artista americano Hervét Tullet é, do início ao fim, uma provocação sobre o papel do livro. Brincando com a ideia do livro-objeto, a interação aqui é muito mais do que com as palavras e as imagens. O leitor abre o livro e lá está uma bola amarela. Mas, antes de virar a página, é preciso seguir os comandos: "aperte aqui". Então, na sequência seguinte, já são duas bolas no lugar de uma. E assim vai, como se os pequeninos criassem os elementos da página em um passe de mágica. Há instruções também para que a criança esfregue o livro, assopre e bata palmas, afinal, os bebês não leem só com os olhos, mas com o corpo todo, colocando todos os sentidos em ação.

5. “Ter um patinho é útil” – Isol (Cosac Naify)

Imagine um livro em que a história só acontece por completo se o leitor chegar ao fim e começar tudo de novo, mas dessa vez com o livro de ponta-cabeça¿ Este é o mote do divertido “Ter um patinho é útil”, indicado para iniciar a leitura com bebês. Na história, um menino usa seu patinho de borracha como chapéu, apito e até como cotonete para limpar as orelhas depois do banho. Mas será que é só isso? Quando o leitor chega na última página, vem a surpresa: o livro começa de novo, com outra cor, dessa vez quem narra é o próprio patinho; afinal, para ele também é útil ter um menino. Feito em dobraduras sanfonadas, o livro sugere que, em qualquer história, tudo depende do ponto de vista.

6. “Animalário Universal do Professor Revillod: o fabuloso almanaque da fauna mundial” (Editora Sesi-SP), de Javier Saéz Castán e Miguel Murugarren

Este é um livro que convida os pequenos a brincar de metamorfose, e de inventar animais imaginários. Encadernado em espiral, e formado por pequenas plaquinhas que dividem o corpo do bichos, o nome e a descrição dos bichos em três partes, o livro permite mais de quatro mil combinações diferentes, dando origem às mais inusitadas criaturas fantásticas. De um simples elefante, o leitor consegue criar um “emepeba”, mistura de elefante, camelo e tatupeba. “Ao folhear suas páginas, vocês verão mostras das maravilhas que este mundo esconde e que só se revelam para as mentes inquietas”, diz a contracapa da obra. A ideia é provocar os pequenos a enxergar nas coisas outras coisas, imaginando como elas poderiam – e são, graças à imaginação.

7. "O livro da Nina para guardar pequenas coisas", de Keith Haring (Cosac Naify)

A menina Nina existiu de verdade. Era a filha do pintor italiano Francesco Clemente. Quando a pequena fez sete anos, o autor, Keith Haring, deu a ela um livro totalmente personalizado onde ela podia rabiscar, pintar, recortar, colar folhas, fotos, lembranças e muitas ideias. A ideia é que os pequenos explorem a materialidade do livro, usando suas páginas como depositário de lembranças e experiências do mundo lá fora. A edição brasileira é um fac-símile do original, e traz um depoimento da própria Nina, 22 anos depois de ganhar o presente. As criações de Keith Haring marcaram as artes gráficas dos anos 1980. Seu traço se popularizou pelo mundo todo e é admirado até hoje por artistas da nova geração, como Osgemeos.

8. "Este livro comeu meu cão" – Richard Byrne

Este é mais um livro que explora a noção de materialidade do livro como objeto. Aqui, são as margens que entram na brincadeira. Na história, a pequena Bella está passeando com seu cachorro Bolota quando de repente ele desaparece. Aonde será que ele foi? Interagindo com o próprio livro, a personagem percebe que o amigo pode estar preso nas margens; isso mesmo: o livro comeu o cão! Então, outros personagens entram em ação para tentar encontrar o cãozinho, mas todos eles acabam tendo o mesmo destino: devorados pela dobra. Somente o leitor pode dar um jeito nessa confusão, chacoalhando o livro até ele botar para fora o que comeu.

9. "Outros mundos", de Anabella López (editora Tordesilhinhas)

"Como seria o mundo se nos colocássemos no lugar dos outros"? Essa é a pergunta que motiva o recém-lançado "Outros mundos", da premiada ilustradora argentina Anabella López. O livro propõe aos pequenos uma reflexão sobre a alteridade. O que é o outro e o que sou eu? "As diferenças são pontes que nos permitem viajar de um mundo ao outro, regressando sempre a nós. Que nunca somos os mesmos", diz ela. Trata-se de um livro ilustrado, em que a narrativa não é contada pelo texto, e sim pelas imagens, que parecem saltar das páginas, onde os leitores entram em contato com a unicidade de muitos rostos e mundos. "Procuro dois idênticos iguais. Não consigo. Todos são únicos, todos diferentes", sugere a contracapa do livro. Em certo momento, o próprio livro questiona "Quem é você?", e uma máscara pode ser destacada do livro para que o leitor experimente ser outros.  A narrativa visual reúne citações de grandes pensadores sobre o tema da alteridade, como Clarice Lispector, Sartre, Foucault e Fernando Pessoa.

10."Lá em casa somos", de Isabel Minhós e Madalena Matoso (Cosac Naify)

"Em apenas 32 páginas e 14 ilustrações, cabem 800 mil fios de cabelo, 78 dedos, 118 unhas, 1351 ossos", diz a contracapa deste divertido livro. Informativo sem resvalar no didatismo escolarizante, o livro brinca com a biologia sugerindo que a criança conte quantas bexigas, rins e fígados tem em sua casa. Em cada página, uma sugestiva brincadeira sobre as partes do corpo a partir de uma matemática meio maluca mas que prende a atenção como qualquer outra conta faria.

"Lá em casa somos 6, mas nos dias de festa rapidinho somos 16. Toca a campainha e já somos 27. Vêm mais uns primos e já somos 32.  Então, começamos a fazer contas, e depois.... Lá em casa já somos 32 cabeças, 618 dedos e mais de 2 quilômetros de intestino."

A proposta é que a criança interaja de uma forma criativa e realmente interessada com os números e a fisiologia de seu corpo. Como sugere o próprio texto da contracapa, é um livro "para ler com os dois olhos vidrados, o ouvir o pai contar com os dois ouvidos atentos, cheirar com as duas narinas - só não vale devorar com seus 20 dentes afiados!" Catraca Livre

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