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30/12/2016 - Para formar leitores críticos, jornal faz notícia para crianças

Todos os dias nós, adultos, assistimos telejornais, acessamos notícias pelas redes sociais e lemos os portais que nos interessam para ficar a par do que está acontecendo ao nosso redor. Mas, e as crianças? Como elas se informam sobre os acontecimentos do dia a dia?

Joca é primeiro e único jornal impresso para crianças no Brasil. Ele nasceu de um pedido deste público, que queria estar por dentro do que acontece para poder discutir com seus colegas. Stéphanie Habrich, diretora executiva do jornal acredita que “é fundamental formar crianças e jovens para participar de práticas reais de leitura e escrita, para que possam ler e compreender a si mesmos e o mundo que os cerca”. O conteúdo do jornal é produzido por jornalistas e pedagogos.

De acordo com Stéphanie , o jornalismo infantil segue os mesmos princípios éticos do jornalismo voltado para o público adulto. “Apuração, imparcialidade, pluralidade de vozes são as bases para o nosso trabalho”, disse ela. A diferença é que o jornalismo infantil procura aproximar as notícias da realidade das crianças. Para isso, a linguagem e a estrutura do texto devem ser adequadas a essa faixa etária. É possível falar sobre qualquer assunto – política, economia, cultura –, desde que se respeitem as particularidades deste público.

A cada 15 dias, o Joca chega na casa das crianças e faz muito sucesso. Sthephanie contou que recebe depoimentos de crianças dizendo gostar bastante do jornal. “Algumas já relataram que ficam contando os dias para a chegada do Joca. Outros dizem dormir com o jornal embaixo do travesseiro!”.

nçado o Mon Quotidien, primeiro diário infantil na Europa – destinado às crianças de nove a 14 anos. O sucesso foi tanto que, três anos depois, surgiu mais um diário para crianças: o Le Petit Quotidien, para leitores de seis a nove anos. A pauta nesses jornais é quase a mesma dos jornais adultos: atualidades nacionais e internacionais, centrados em cultura, esportes e ciências. A diferença está no estilo do texto: simples e direto, de fácil compreensão. “No mundo todo, os jovens aprendem a ser leitores críticos e cidadãos do mundo, exercendo o sentimento de pertencimento”, avalia Stephanie.

E por que existe essa lacuna no Brasil?

“Uma das explicações pode ser cultural”, opinou a diretora. “Aqui, assuntos como política e economia são tratados como ‘coisas de adulto’. Os jovens raramente são estimulados a discutir e  debater esses temas”. Outra explicação levantada por Stéphanie são os baixos índices de leitores no Brasil. De acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil", 30% dos brasileiros nunca compraram um livro. Diante desse cenário, iniciativas como o Joca são de extrema importância. O primeiro contato com a leitura deve ser feito de forma lúdica, didática. Assim, o jovem cria gosto pela leitura e, quando crescer, terá mais chances de se interessar por livros e jornais. Na opinião Stéphanie , "o Brasil sempre teve acesso a suplementos infantis, porém estes são muito superficiais e não trazem a notícia". O jornal Joca é construído em nove editorias: Brasil, Mundo, Cotidiano, Comportamento, Tecnologia, Finanças, Social, Esporte e Repórter Mirim.

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