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21/10/2016 - Especialistas discutem educação integral para além da questão do tempo na escola

Promover o direito à educação. O Seminário Internacional de Educação Integral (Siei), realizado pela segunda vez no Brasil, e que terminou nesta quinta-feira no Sesc Consolação, em São Paulo, teve como objetivo destrinchar o conceito de educação integral, em voga nas políticas educacionais, para além da ampliação do tempo de permanência do aluno na escola. Entram nesta discussão a garantia do acesso a diversos conteúdos, os espaços de aprendizagem e o envolvimento com diferentes atores — como educadores sociais, famílias e comunidade — para que crianças se desenvolvam de forma abrangente.

— A educação está diante de coisas que já deveriam ter sido resolvidas de lá do século XIX. Colocar todas as crianças na escola e garantir que tenham qualidade é importante, mas não no formato do passado. Temos que trazer um desenho contemporâneo. A inovação e a tecnologia são formas de reorganizar isso — acrescenta Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM, que promove o evento.

O encontro anual já teve nove edições no México. Por aqui, é a primeira vez que a Fundação SM conta com o apoio da Fundação Roberto Marinho (FRM), instituição ligada ao Grupo Globo; da Fundação Itaú Social; do Centro de Referências de Educação Integral; do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec); além do SESC-SP. No ano passado, o foco foi literatura infantil.

— Há uma necessidade de ampliar o repertório, de diversificar os educadores e de usar diferentes ambientes. O protagonismo e a participação efetiva das crianças é uma forma de diminuir os riscos de não atingirmos as metas para a educação em 2024. Os especialistas que participaram aqui trouxeram olhares importantes, principalmente ao problematizar a tecnologia, já que seu uso ainda não está claro para professores nas escolas. As coisas não são preto e branco; são coloridas e podemos experimentar — diz Angela Dannemann, Superintendente da Fundação Itaú Social e mediadora no evento.

Aparecida Lacerda, gerente geral de Educação Profissional da FRM, que tem como filosofia ajudar a “promover o direito à educação, incentivar o protagonismo, valorizar a cultura brasileira e o meio ambiente”, defende que as escolas continuem com as portas abertas para a troca com outras instituições e para as demandas atuais.

— A educação integral é um desafio inegável hoje. O aprendizado do aluno e a formação dos professores estão em pauta. Agora queremos ampliar o assunto para que a educação integral comece a ser discutida também pela questão do mercado de trabalho, das experiências profissionais dos alunos, porque grande parte da juventude já trabalha — diz a gestora, antecipando um assunto que deve ganhar destaque na próxima edição do Seminário Internacional de Educação Integral.Uma das mesas trouxe à luz o tema “O alcance das inovações e sua efetividade para a transformação da educação”.

“A inovação não tem uma cara, um único modelo, mas ela tem que dialogar com a diversidade que há no Brasil. Está presente em todas as regiões, em escolas públicas e privadas. Essas experiências têm em comum um projeto pedagógico que é compartilhado com a comunidade e discutido de acordo com as suas necessidades; não é um documento em uma gaveta”, disse Helena Singer, diretora de Ações Estratégicas e Inovação do Departamento Nacional do SESC, durante o debate.

Partindo do conceito de que uma escola inovadora é “democrática, inclusiva, integrada e sustentável”, a socióloga cita as escolas Santos Dummont e Comunitária Cirandas, no Rio; o Ecomuseu do Mangue, no Ceará; e a Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela) como exemplos de diversidade em experiências inovadoras nos métodos de ensino, de organização e de flexibilização dos espaços, de forma a respeitar o desenvolvimento local. Em determinadas comunidades no norte do país, segundo ela, a língua indígena é tratada como a principal nas aulas.

Outra palestrante, Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, trouxe dados de uma pesquisa que envolveu 132 mil jovens, de 13 a 21 anos, no país sobre como seria a escola dos seus sonhos para “aprender mais”; “para serem mais felizes”; “para que a individualidade de todos seja respeitada; e “para que a escola seja inovadora”. Para ela, o fato de os alunos de hoje terem mudado sua forma de lidar com a aprendizagem deve ser levado em consideração pelos gestores a fim de manter o interesse dos alunos e favorecer a inclusão.

“Eles querem flexibilização, participação direta, orgânica, definindo com o professor o que estudar, como estudar e como serão as relações. E que isso não seja algo pontual, mas sim cultural. Isso é uma tendência. Eles querem mais aulas práticas e dinâmicas e querem sair da sala de aula porque fazem parte de uma geração que aprende mais fazendo do que escutando. Eles pedem tecnologia, mas também área verde”, disse.

Deslumbramento com novas tecnologias, sem aprofundamento, e experimentações de curto período, por outro lado, são caminhos arriscados para se atingir o nível ideal do processo educativo, acredita a diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), Lucia Dellagnelo, palestrante na mesma mesa.

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