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08/08/2016 - Conversas que me emocionam

Por *Cláudia Santa Rosa

Há quinze dias publiquei “Lugar de professor não é na escola?”. Os retornos de leitores foram surpreendentes, em número, conteúdo, consistência. Muitos foram os comentários pelas redes sociais, várias abordagens presenciais, mensagens privadas de tantos colegas que preferiram não se expor em público. Refleti!

Os meus posicionamentos, ali explicitados, seguem fortalecidos. Cada vez mais convicta de que às escolas devem ir os melhores, os mais preparados, os que costumam orientar como deve ser as práticas das escolas. Como falei, “é ilusória a tentativa de querer resolver o problema da baixa qualidade do ensino ofertado, mantendo a falta de professores nas salas de aula e de pedagogos nas coordenações pedagógicas dos projetos das escolas. De igual modo, não avançaremos com quem deseja distância do magistério.”

O meu relato de um caso de “professor” nada afeito ao Magistério, provocou a professora Emilliany de Carvalho pelo Facebook:

“O comportamento” do professor que a senhora cita, é algo muito comum nas escolas de todo o Brasil. Mas, tal comportamento não é típico apenas da Educação. Pois, infelizmente, em todas as áreas e campos existem “profissionais” e profissionais. Na Educação, realmente, existem “professores (as)” que não querem permanecer na sala de aula por “ns” motivos. Mas, também afirmo – por exemplo - que na área da Saúde existem alguns “profissionais” que mal olham nos rostos dos pacientes, passando a impressão de que estão ali, apenas pelo dinheiro, “trabalhando” de forma mercenária. E, assim segue por todas as áreas... Compreende? No entanto, eu creio, que apesar de todas as dificuldades - que nós da Educação sabemos quais são - em “permanecer” em sala de aula, ainda existem profissionais/professores(as) que desempenham um excelente trabalho nas suas salas de aulas, de maneira que, acreditam que a Educação pode até, não transformar o mundo; mas, que ela (Educação) poderá contribuir para a mudança das pessoas. Diante disto, faz-se necessário que NÓS (Órgãos Públicos, Família, Escola e Outros COMPROMETIDOS) que almejamos por dias e futuro melhores, passemos a segurar firmes nas mãos, sem ter que culpar um OU o outro por algo, sem ter que procurar por errados e/ou culpados. Pois, na minha opinião, se formos fazer isso, eu diria que o comportamento do professor citado no seu texto é culpa de todos. Diria até, que se formos procurar por culpados pelo comportamento do professor em questão, iríamos transformar a situação numa “partida de ping-pong”, do tipo: “ toma lá, dá cá”... Enfim, que o ideal, a causa e a luta pela Educação saiam das teorias e passem a ser: um ideal MEU, uma causa SUA e uma LUTA DE TODOS(AS)! Abraço João-Camarense. Fique bem e que Deus continue te abençoando!

A Professora Flaivete Santos respondeu:

Concordo que em todas as áreas existem bons e ruins profissionais, porém devemos tentar olhar pelo menos para nossa área e fazer a diferença, procurar seguir bons exemplos, pelo menos tentar! Compartilho, algo que me deixa extremamente chateada: é quando as vezes ouço, até dentro da escola, vcs não fizeram isso que combinamos, nos colocam todas dentro do mesmo saco, para não ofender as que não cumprem suas responsabilidades. Agora eu digo! Pera lá me tire de dentro desse saco, aí algumas me olham, “olha ela! Quer ser melhor dos que as outras”, infelizmente é assim. Abraços, Emilliany!

A Professora Flaivete me escreve:

Ainda acrescento a esse seu maravilhoso artigo, que "Lugar de professor é na escola e cumprindo suas obrigações". Angustio-me por razões extremamente coerentes, porque algumas professoras, a maioria são mães, avós e me incluo nesse contexto, queremos o melhor para nossos filhos. Porém, algumas professoras já chegam dando indícios que não acreditam no seu trabalho e na escola pública, escola essa que nos sustenta, nos dá o nosso pão de cada dia. Pois nossos filhos e netos, parentes e aderentes, matriculamos em escolas particulares. E algumas são duras com os professores das escolas particulares, são cheias de cobranças, reclamam se as professoras chegam atrasadas e outras coisas com respeito ao ensino de seus filhos, "escolas essas que escravizam esse profissional e pagam menos que na escola pública". Mas com os filhos dos outros alguns professores são relapsos, faltosos, negligentes, irresponsáveis e corruptos. Fazem igual aos deputados que votaram contra a presidente do Brasil: “eu voto a favor pela minha família...” alguns professores já deixaram virar rotina os atrasos, o não querer realizar um trabalho de qualidade, tudo eles justificam não cheguei por isso ou por aquilo, não vim hoje porque a comida me fez mal e etc etc. Mas se isso acontece na escola particular com o seu filho, ai o bicho pega. Quero chegar no ponto que devemos ter zelo pelo nosso trabalho, respeito pelos nossos alunos, devemos nos fiscalizar, nos policiar e refletir, pois nosso legado é grande, nossas responsabilidades são gigantescas. Sabemos que a culpa das mazelas da educação não é nossa, mas não devemos ser medíocres, profissionais mesquinhos e sabotadores, devemos ensinar os filhos dos outros com respeito e fazer a nossa parte. Fecho meu pensamento com a escrita de uma fala que escutei outro dia de um professor canalha, ensina na vila de Ponta Negra, ele disse: “esses cachorros não aprendem nada, são uns vagabundos", fala do tal professor, eu claro, sai na defesa dos meninos, adolescentes do meu bairro, por conhecer a qualidade da escola que é péssima, desumana, salvam-se alguns professores, nessa escola, que não citarei o nome. Daí ele disse: professora vc é uma sonhadora. Prefiro ser sonhadora, alimentar paixões pela vida, encantar os alunos e adolescente no início das suas vidas tão sofridas, pela pobreza, pelo abandono do poder público, pelo abandono das famílias e da sociedade exclusivista, prefiro alimentar sonhos de dias melhores, prefiro dizer que eles são capazes, do que ser medíocre, chegando ao final do mês rápido e pontual no caixa eletrônico ou outro e sacar um dinheiro sem cumprir meu papel que independente dos governantes não cumprirem suas obrigações, através das leis que valorizam o magistério, devemos ser responsáveis. Sou e conheço bons professores, graças a Deus que existem na escola pública! Mas a cada dia a decepção aumenta. Eu não me importo com corporativismo, aliás vou seguir seu exemplo, vou começar a registrar minhas decepções com artigos fundamentados na minha prática e em leituras. Não cabe a nós a certeza que vai dá certo, mas cabe a nós o tentar fazer com conhecimento, afeto e compromisso, a escola não garante o sucesso de ninguém, mas ela mostra caminhos, constrói juntos e amplia horizontes. Para isso devemos ser humildes e deixar que aquilo que temos de mais belo, que é ser humano aflore, sem preconceitos, sem preferências, com olhar de despertamento pelo aluno, devemos ser aprendiz sempre e caminhar juntos. Ser professor não é missão, mas é uma jornada árdua, de espinhos, mas também de belos frutos... Abraços fraternos, Cláudia Santa Rosa.

Quase tudo foi dito, a Professora Flaivete é das minhas. Eu a aplaudo, sempre!

“Já não estamos sóis”, um dia registrou em seu diário, o meu mestre, pedagogo humanista, Cèlestin Freinet (1896-1966). Felizmente continua atualíssimo.  

*Professora, especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Atualmente é Secretária de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte. 

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