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31/05/2016 - Educação no Brasil ainda está presa no século 20, diz curadora da Educar

Quem deseja uma solução fácil para os problemas da educação no Brasil encontra uma dura resposta nas declarações da consultora Vera Lucia Cabral, curadora da Bett Brasil Educar 2016, evento que ocorre em São Paulo nesta semana. Para ela, não existe uma "solução mágica" que altere a realidade da noite para o dia.

Mas, calma. Claro que há muito a ser feito. Segundo Vera, que também é colunista do UOL, o processo educacional brasileiro ainda está preso ao século 20. As escolas brasileiras, independentemente de serem públicas ou particulares, ainda estão desenhadas para simplesmente transmitir conteúdo e não para fazer uso dele em um mundo em transformação.

É o tal negócio, professor, giz, lousa, apostila, um monte de conteúdo, de provas, de vestibulares e pouquíssima aplicação prática daquilo. Por isso, para Vera, a "mágica" pode não existir, mas a transformação da educação brasileira passa pela inovação.

"Inovar é imperativo. Einstein dizia que não é fazendo a mesma coisa que a gente chega a resultados diferentes. Não vamos transformar pessoas usando um modelo tradicional, baseado no conhecimento de fatos e que não está integrado para que as pessoas evoluam", afirmou.

Inovação na educação

E o que seria inovar em educação? Mais do que imaginar grandes mudanças tecnológicas dentro de sala de aula, é preciso pensar em mudanças curriculares. Ou seja, os alunos devem aprender algo adaptado para o nosso mundo. Aquilo que é requisitado pela sociedade e pelo setor produtivo. E esse currículo, para Vera, vai propiciar uma formação diferente da oferecida hoje em dia.

A tecnologia, na visão da educadora, assume um papel protagonista nessa mudança, até porque, hoje, não existe sociedade sem ela. Se o estudante usa a internet para conversar com amigos, se divertir e se informar, nada mais natural do que tê-la em sala de aula.

"Inovação curricular é aproximar o ambiente de aprendizagem do mundo de hoje. O aluno busca informação na internet o tempo todo, como que dentro da sala de aula eu proíbo isso? Existe toda uma mudança na lógica de como educar", afirmou.

"A tecnologia é essencial para a educação porque é essencial para a gente. Quando você pensa como as pessoas agem e trabalham, elas usam tecnologia. A escola não é uma ilha. Ela não pode ficar isolada nisso", completou.

Agora, adotar a inovação e sair desta realidade conteudista que domina a educação há anos não acontece de uma hora para outra. Vera alerta que acúmulo de conhecimento, não é ruim. Muito pelo contrário. Escola que trabalha com inovação não vai deixar de fazer e de ter sucesso em vestibulares.

"A gente não pode ter uma visão paralisante. Uma das escolas mais inovadoras que eu conheço na Inglaterra, a School 21, estava preocupada porque iria passar uma avaliação de um órgão inglês bem tradicional e exigente. Pois eles ganharam o selo de ser uma das escolas mais notáveis. Eles não só deram conta, mas deram conta com grande distinção", afirmou.

Escolas não podem ter medo de errar                                                              

Vera acredita que a transformação precisa ser estimulada dentro das escolas e pela direção dos colégios. Além disso, é preciso perder o medo de inovar e de errar.

"As escolas não podem ser penalizadas por errarem na tentativa de inovar. É preciso incentivo para que as escolas sejam estimuladas. Além disso, é possível aprender com os outros, mas não há uma solução única. O que serve para uma classe ou uma turma pode não servir para outra. É preciso trabalhar sem fórmulas, mas sem aquela aula que você dá há 30 anos", disse.

Vera Lucia também apontou tendências para a educação no século 21 nas escolas brasileiras. "As tendências são ferramentas de colaboração, para trabalhar trocas de experiência, educação a distância e ensino hibrido, formas pelas quais você consegue trabalhar não exclusivamente dentro da escola, mas no mundo como um todo. É preciso trazer o mundo para dentro da escola", afirmou.

"Outra grande tendência é a utilização de dados para o processo de tomadas de decisões. Isso permite que as escolas tomem decisões com base em resultados e na identificação de problemas. Também é possível cruzar dados em tempo real com avaliações normativas. Podemos redefinir todo um projeto ou um plano de aula", completou.

A Bett Brasil Educar é um evento educacional que acontece de 18 a 21 de maio, no São Paulo Expo, na capital paulista, e que conta com diversas mesas de debates e palestras com vários especialistas em educação. Neste ano, o evento tem como tema "Melhor Educação, Melhor Sociedade". (Uol Educação)

 

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