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26/04/2016 - Educação sem barreiras em Natal

Para educar uma criança, é preciso eliminar todas as barreiras existentes. A rede pública de Educação de Natal segue esse lema à risca. A Prefeitura de Natal oferece um atendimento especializado a cerca de 1.400 alunos com algum tipo de deficiência. Além de frequentar a sala de aula convencional, estes alunos frequentam no chamado contraturno (período complementar ao das aulas regulares) uma sala estruturada para oferecer instrumentos necessários ao processo ensino-aprendizagem, considerando a deficiência de cada um.

Esses espaços são denominados de “Salas de Recursos Multifuncionais” (SRM) e integram as atividades da Secretaria Municipal de Educação por meio do Setor de Educação Especial. Em toda a rede municipal, estão em funcionamento 45 salas de recursos multifuncionais, funcionando 30 em tempo integral e 15 de modo parcial.

Para colocar em funcionamento as salas multifuncionais, 68 professores estão em permanente capacitação. Os professores que atuam nas salas especializadas passam por processos de atualização das práticas educacionais e pedagógicas para desenvolver este serviço. 

A organização e a administração desses espaços são de responsabilidade da gestão escolar e o professor que atua com este serviço educacional deve ter formação para o exercício do magistério de nível básico e conhecimentos específicos de educação especial, adquiridos em cursos de aperfeiçoamento e de especialização. O objetivo primordial é garantir ao aluno com deficiência o acesso e as condições para uma educação de qualidade.

De acordo com a chefe do Setor de Educação Especial da SME, Suedna Maria Varela de Lima, as Salas de Recursos Multifuncionais são espaços físicos localizados nas escolas da rede onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado (AEE). As salas possuem mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos para o atendimento dos alunos que são público-alvo da Educação Especial e que necessitam do atendimento especializado no contraturno escolar.

O ensino oferecido no atendimento educacional especializado é necessariamente diferente do ensino escolar e não pode caracterizar-se como um espaço de reforço escolar ou complementação das atividades escolares. O público-alvo é composto por alunos com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação.

O Setor de Educação Especial da SME se responsabiliza com os assessoramentos nas unidades de ensino e com as formações continuadas e destinadas aos professores que atuam nas salas funcionais. Essa formação ocorre mensalmente, a fim de formar o professor no seu turno de trabalho e de contemplar suas necessidades. Este ano, a formação é realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


A Escola Municipal São Francisco de Assis, no bairro de Nazaré, Zona Oeste da capital potiguar, possui uma dessas salas multifuncionais. A professora Zulmira Palhano é a responsável pelo acolhimento e formação dos alunos portadores de necessidades especiais. Para a educadora, acolher os alunos que precisam do atendimento especializado é muito gratificante e engrandece nos campos pessoal e profissional.

Zulmira é professora da rede pública municipal há 26 anos e se emociona ao relatar os avanços conquistados pelos seus alunos. “Muitos chegam aqui inibidos, não sabem escrever, nem ler, mas, após toda atenção e estímulos pedagógicos recebidos, e com o trabalho diferenciado que nós proporcionamos, as conquistas acontecem de uma forma rápida”, relata. Os sucessos obtidos pelo trabalho motivam a professora a seguir atuando junto aos alunos, mesmo após a aposentadoria. “Estarei aposentada daqui a três anos, porém, seguirei na ativa como amiga da escola”, garante.

A sala com computadores e repleta de jogos, livros, material didático e pedagógico é quase como um parque de diversões para os alunos. Um deles, Diego Vasconcelos, 9, frequenta a sala multifuncional semanalmente e disse que se sente à vontade no ambiente. Ele tem déficit de atenção e já conseguiu importantes avanços na vida escolar depois que passou a ter atendimento especializado. “Tudo aqui é muito legal. Antes, eu tinha dificuldade com as letras. Era muito difícil formar as palavras, só que agora estou conseguindo ler e escrever melhor”, comemora Diego.

A pequena Beatriz Dias, 8 anos, tem dificuldades na audição e na fala. Essas barreiras físicas são pequenas frente à garra e determinação que ela mostra. Ela também está no grupo de alunos atendidos e vem dando saltos significativos na vida escolar. “Fico muito feliz quando aprendo a ler e a escrever novas palavras, bem como quando termino de ler um livro. Quero aprender cada vez mais para ter um futuro melhor”, afirma a dedicada aluna, que reveza suas atenções entre o computador e as tarefas escolares.

Essas pequenas conquistas cotidianas são compartilhadas pelas famílias dos estudantes. A mãe de Beatriz, Suely Dias, não esconde a felicidade com a evolução da menina. Ela lembra que a realidade de Beatriz antes do atendimento especializado era muito dura. Agora, a mãe orgulhosa projeta um horizonte bem mais promissor para a filha. “Foi uma mudança drástica. Ela é uma nova menina. Mais esperta, comunicativa e que interage melhor conosco e com os amigos”, define Suely Dias.

 

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