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16/02/2016 - Um estranho jeito de planejar a educação pública

Por *Cláudia Santa Rosa

Meio sem paciência, cá estou.

É anunciado para amanhã o início do ano letivo na rede pública do Rio Grande do Norte, mas já é certo que essa não será a realidade em 100% das escolas, sem falar que um indicativo de greve ameaça não começar as aulas nas unidades do município do Natal.

Receio chegar o tempo da aposentadoria sem entender o tamanho descompasso de encaminhamentos que acomete a gestão pública, como já se sabe, produzindo fracasso em escala industrial. São quase 26 anos de trabalho – sempre a atuar em escolas – e continuo a presenciar o que considero um estranho jeito de planejar a educação.

Num estado que informa que só saberá a necessidade de professores, quando fechar as matrículas, é inaceitável que o período para solicitar a vaga se estenda até amanhã, teoricamente, o primeiro dia de aula. Períodos tardios, quando a burocracia pede tempo, antecedência para agir antes do caos se instalar.

Verdadeiramente, parece que nada adiantou os investimentos no uso das tecnologias no processo de informatização para recebimento e gerenciamento de informações, quando deslizes impõem a necessidade que a competência se instale para que o moderno cumpra o seu papel. Um sistema que realiza matrículas pela internet, nunca será eficiente por si só.

É perversa a prática vigente que aguarda o ano letivo começar, espera os alunos voltarem às escolas – depois de quase dois meses de férias – para tentar gerenciar os problemas, fazendo novas, as antigas solicitações de escolas que estão atentas tanto às próprias dificuldades quanto à morosidade da gestão pública.

Haverá de chegar o dia cujo entendimento será de que não basta amor e boa vontade para fazer uma escola funcionar. Será o tempo que o planejamento dirá presente e o administrativo funcionará com a eficiência necessária, enquanto as crianças e jovens estão em casa, de modo a organizar as condições indispensáveis à escola funcionar, desde o primeiro dia letivo, com a decência que garanta o direito constitucional a uma educação de qualidade.

*Professora, especialista em Psicopedagogia, Mestre e Doutora em Educação. Diretora Executiva do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) e Coordenadora do “Esquina do Conhecimento, projeto pedagógico da Escola Estadual Manoel Dantas. É articulista de temas relativos à Educação e no ano de 2014 passou a publicar, também, minicontos de amor, crônicas e poemas que são tentativas de incursão pelo universo do texto literário. (educadora@claudiasantarosa.com)

Um projeto Sinduscon RN e IDE.

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