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12/08/2015 - Melhores alunos da rede estadual não alcançam média dos estudantes da particular

Parcela dominante na relação de escolas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as instituições estaduais — 57,4% do total de inscritas — tiveram resultado aquém das particulares (39,74%) mesmo quando analisada a média das notas das provas objetivas apenas dos melhores alunos da rede. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou quarta-feira, 5, a média obtida nas provas objetivas pelos 30 melhores alunos de cada escola. E a “elite intelectual” das estaduais do Brasil alcançou 550,2 pontos, enquanto a média de todos os estudantes da rede privada foi de 558 pontos. Caso fosse considerado somente o resultado dos melhores alunos da rede privada, a distância seria ainda maior: a média foi de 618 pontos.

O resultado demonstra que, mesmo com a evolução do desempenho — de 487,9 pontos, em 2013, para 550,2, em 2014 (no caso dos estudantes “de elite”); e de 479,3 pontos, em 2013, para 544,8, em 2014 (na média geral) —, as escolas estaduais não conseguiram superar o déficit em relação à rede particular.

QUEDA EM MATEMÁTICA

O primeiro lugar da rede estadual é ocupado por São Paulo, com nota média de 505,6; seguido do Distrito Federal, com 502,7; e do Rio Grande do Sul, com 499,9. Apesar de estar acima da média nacional (487,9), o Rio de Janeiro aparece na sétima posição, com 492,6 pontos. O estado caiu três colocações em relação ao ano passado.

— Isso não é um fenômeno assustador. A educação básica não é algo que evolui linearmente como se espera. O que observamos este ano é que, em matemática e redação, houve uma ligeira queda no desempenho. É preciso uma metodologia diferenciada. Este ano, aumentamos o foco em matemática. Já havíamos implementado uma disciplina de resolução de problemas de matemática, por exemplo — argumentou o secretário de Educação do Rio, Antônio Neto.

PERFIL SOCIOECONÔMICO

Sobre o resultado da rede, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, considera que o desempenho inferior pode estar relacionado à diferença de perfil socioeconômico.

— O ranking compara unidades educacionais muito heterogêneas. Para analisar a unidade escolar, também temos que avaliar o indicador socioeconômico. Vamos nos debruçar sobre os resultados apresentados e ver em quais itens podemos fazer intervenções para resolver os problemas da rede estadual — afirmou.

O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, concorda que o nível socioeconômico é um ponto importante a ser levado em consideração no ranking, mas destaca que, em muitos casos, ainda que com perfis parecidos, alunos das redes privada e pública apresentam resultados diferentes.

— Mesmo quando comparamos alunos de nível socioeconômico igual nas escolas públicas e privadas, o desempenho dos que cursam colégios particulares é melhor. A que se atribui isso? Normalmente, à gestão, à melhor organização do ensino. Ou seja, no Brasil, quem estuda em escola particular aprende mais, independentemente do seu nível socioeconômico — argumenta Oliveira, para quem a gestão é uma das razões mais importantes. — A outra razão se refere à política equivocada que o país tem para o ensino médio. Se a maioria dos alunos pudesse frequentar cursos médios profissionalizantes, eles teriam um desempenho muito melhor, e as taxas de conclusão seriam bem maiores.

Fonte: O Globo


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