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09/09/2014 - Candidatos apresentam propostas para o Rio Grande do Norte - Educação Pública

No Rio Grande do Norte, a avaliação da educação não aponta bons indicadores. Pelo contrário, revela gargalos: são altas as taxas de analfabetismo e de evasão escolar. Entre pessoas de 10 ou mais anos, a taxa de analfabetismo no RN é de 17,38%, segundo dados do Censo 2010/IBGE.

“É a 5ª taxa mais alta do Brasil, que tem uma taxa global de 9,2%. Há municípios no Estado onde a taxa de analfabetismo chega a 39%. O Estado não pode continuar alimentando essa situação”, aponta a diretora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), Cláudia Santa Rosa. 

No caso da evasão escolar, os índices não ficam abaixo. No ensino médio, etapa de exclusiva responsabilidade do Estado, a taxa é de 19,13%, também uma das mais altas do país. Cláudia Santa Rosa afirma que, nesse contexto, os desafios da educação estadual passam, antes de tudo, por planejamento para “não continuarmos na prática do amadorismo, não tendo claro onde queremos chegar”.

A especialista em educação afirma que os resultados apontados pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que incluem o ensino fundamental  compartilhado entre estados e municípios, revela a ineficiência do sistema educacional. A pontuação da rede estadual no Ideb varia de 3.7 no 5º ano; 2.9 no 9º ano a 2.8 no ensino médio, numa escala que vai de zero a 10.

“O Estado está disputando muito a sério os últimos lugares do hanking e o próximo gestor terá que enfrentar o desafio de reverter esses indicadores. O desafio precisa ser enfrentado, buscando eficiência na gestão com profissionalismo e investimento na infraestrutura das escolas e na valorização dos professores”, indica a especialista do IDE.

Cláudia Santa Rosa pontua que “hoje se tem uma escola do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI” e que reverter esse quadro exige reestruração do sistema em sua teconologia, equipamentos e projetos pedagógicos, com o Estado sendo o articulador das políticas educacionais para alcançar bons resultados, como estabele a Constituição Federal”. 

A educação é tema na edição deste sábado, 30, da TRIBUNA DO NORTE, dando sequência à série “Propostas para o Rio Grande do Norte”. A pergunta feita a cada um dos cinco candidatos ao Governo do RN foi “O que fazer para dar qualidade à educação pública?”. Conheça a proposta de cada um deles.

Araken Farias - PSL
A educação será uma das grandes ações do nosso governo, porque vamos não só trabalhar a questão da estrutura, mas também da motivação de professores e alunos, instituindo o Pacto pela Educação Potiguar. Nele, estarão previstos diálogos constante sobre a qualidade da educação com pais, alunos e professores. Estes, inclusive, serão amigos da gestão, recebendo um salário digno e que combine com o importante cargo que ocupam. Com relação à administração, que pretendemos fazer apenas com profissionais professores de carreira, vamos criar uma política organizada de compra de merenda, para acabar com as suspensões no fornecimento da comida nas escolas, e trazer postos de saúde para dentro das unidades estudantis, como forma de constatar eventuais problemas de saúde ou oftalmológicos nos nossos estudantes ainda no início, facilitando assim o tratamento. Vamos, ainda, realizar reformas estruturais nas escolas, implantar o período integral nas unidades e promover a prática de esportes dentro dos colégios, atrelando o aprendizado ao desenvolvimento físico dos alunos.

Henrique Eduardo Alves - Pmdb
As ações de meu governo na área da Educação serão orientadas por três eixos, sobre os quais estará sustentado meu projeto de resgatar a qualidade no ensino público do Rio Grande do Norte. O primeiro eixo será a implantação intensiva de escolas em tempo integral. O segundo a ampliação da oferta de cursos profissionalizantes. O terceiro será o combate permanente ao analfabetismo. Para perseguir essas metas vou garantir a aplicação de 25% do Orçamento em programas realmente vinculados à Educação, sem maquiagens. Vou buscar parcerias, com o governo federal quanto e com entidades que tradicionalmente apoiam a educação, como o Sistema S. Vou valorizar o professor e fixar metas, premiando quando os resultados forem alcançados. Uma das metas será a melhoria do desempenho escolar e elevação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- IDEB. O currículo escolar levará em conta as experiências de vida e as necessidades da população, respeitando as características locais. Quanto ao analfabetismo, meu projeto prevê a redução de 75% do analfabetismo funcional. Vou também implantar um programa de estado, fixando a meta de elevar a taxa de alfabetização na faixa estaria acima dos 15 anos para cerca de 90% até o ano 2020.

Robério Paulino - PSOL
O descaso com o qual as elites econômicas e políticas tratam historicamente o problema da educação nos legou a marca de quase 20% de analfabetos formais, uma marca que nos entristece e nos envergonha. Nas escolas estaduais os professores trabalham nas piores condições, além dos baixos salários atrasados. Na Uern, a ausência de salas climatizadas e as cadeiras quebradas revelam sua realidade. O Governo Rosalba é um desastre, mas fruto também dos governos anteriores que ignoraram a educação pública e fortaleceram o ensino privado. O problema da educação é estrutural e orçamentário. É preciso destinar, no mínimo, 25% do Orçamento Geral do Estado para a educação. É possível, se reduzirmos 80% dos cargos comissionados, além dos gastos com benefícios como viagens e publicidade. É preciso aumentar a fiscalização para evitar sonegação das grandes empresas. Para mudanças efetivas, é preciso um projeto ousado em um grande congresso, logo no início do governo, construído com educadores, estudantes e outros atores. É preciso um choque de qualidade para acabar de vez com o analfabetismo em, no máximo, 8 anos. É preciso aumento salarial dos professores, mais concursos públicos e outras ações como as eleições diretas para as Diretorias Regionais de Educação (Direds), e a restruturação da Uern.

Robinson Faria - PSD
A educação é a mola mestre para o desenvolvimento. O nosso governo tem como compromisso central na área da educação construir projetos de Estado, impessoais, com foco no estudante, para através da garantia do direito de aprender projetar seu futuro como cidadão. O nosso projeto de educação pública de qualidade, focado em resultados, deve apresentar como referências norteadoras a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), e os Planos Nacional e Estadual de Educação e as Diretrizes Curriculares Nacionais. Dentre as metas do nosso governo está universalizar o Ensino Fundamental de 9 anos para toda a população de 6 a 14 anos e garantir que os alunos concluam essa etapa na idade certa, até o último ano de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Plano Estadual de Educação (PEE). Também pretendemos alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade, durante os primeiros cinco anos de vigência do PNE e PEE. Temos que trazer os alunos para a sala de aula. Mas não é só trazer. Temos que ter professores capacitados para avançarmos na educação, se quisermos um ensino de qualidade.

Simone Dutra - PSTU
No RN, temos 1 milhão e 100 mil pessoas não tem acesso a educação. Isso representa 30% da população do Estado. De acordo com o Censo Escolar 2011, tínhamos 482.524 crianças e jovens com idade entre 0 e 24 anos fora da creche, escola ou universidade. Isto significa que 4 de cada 10 jovens estão fora da escola. Enquanto isso, o governo Rosalba fechou 32 escolas em 2013 e fechará mais 86 escolas no decorrer de 2014, revelando o descaso com a Educação Pública. O Governo não cumpre nem a norma constitucional de gastar 25% da receita estadual com a educação. O governo do PSTU destinará 30% da Receita do Estado para a educação, para não ficar nenhum aluno fora da Escola, para ter creche para todas as crianças de 0 a 3 anos, para erradicar o analfabetismo no nosso Estado e ampliar os investimentos na UERN. Defendemos o fim da terceirização e a absorção dos terceirizados pelo quadro de servidores do Estado, através de um concurso interno para qualificação profissional destes trabalhadores. Queremos 10% do PIB já e não para 2024 como promete o Plano Nacional de Educação, que tem muita possibilidade de não sair do papel, como ocorreu com o PNE anterior. Unificação do Plano de Carreira dos Trabalhadores em Educação; cumprimento do Reajuste do Piso, rumo ao piso do Dieese; e redução do número de alunos por sala de aula.

Fonte: Tribuna do Norte

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