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28/03/2014 - 28/03/2014 Do total de professores da SME, 20,2% estão afastados

Fonte: Tribuna do Norte - 28/03/2014

A rede municipal de Educação tem, atualmente, 20,2% do seu quadro de professores e educadores infantis fora das atividades em sala de aula. Do total de 4.288 professores e educadores infantis, a Secretaria Municipal de Educação tinha, em janeiro deste ano, um déficit de 8 66 profissionais, conforme levantamento apresentado nessa quinta-feira (27) pela secretária municipal de Educação, Justina Iva. Desses, mais da metade - 454 - estavam em licença por motivos de saúde.

Em relação a esse número, a professora e titular da SME, Justina Iva de Araújo Silva, reconhece o prejuízo causado à rede municipal de ensino, mas destaca a irrefutabilidade do atestado médico. Ela lembra que há o projeto “Cuidando dos Cuidadores”, desenvolvido pelo Executivo municipal que oferece atividades laborais para prevenção desses problemas enfrentados pelos servidores, mas também considera melhores condições de trabalho e modernização das escolas como métodos para evitar esses problemas de saúde.

Ao mesmo tempo, a categoria reclama principalmente das condições de infraestrutura dos locais de trabalho. A coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte/RN), Fátima Cardoso, questiona a superlotação das salas e os problemas recorrentes de manutenção nas escolas. “As reformas feitas no ano passado foram emergenciais, mas não resolveram, de fato, os problemas nas escolas”, disse.

Fátima Cardoso também destaca a forma de trabalho, que frequentemente causa problemas às cordas vocais; estrutura óssea afetada por passar muito tempo em pé; além de doenças cardíacas, que são recorrentes na vida desses profissionais. Para ela, a superlotação das salas contribui com os problemas de saúde. Fátima aponta ainda estimativa de que 70% dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) estariam com estrutura inadequada, prejudicando o desempenho dos alunos e intensificando problemas de saúde dos profissionais.

Contornar a ausência de professores é, segundo a secretária, “o maior desafio de quem trabalha com a educação básica”. Justina Iva explica que há duas formas para substituir esses profissionais afastados. “Tentamos atribuir carga horária complementar a um professor da mesma disciplina e que seja da mesma escola. Se não for possível, chamamos professor substituto, mas ele tem um mês para se apresentar”, especifica. “Isso é um desafio constante, que não conseguimos resolver”, admitiu.

A titular da SME não considera que esse déficit prejudique o início do ano letivo, mas questiona o número de licenças médicas. “Os anos começam com professores para todas as salas, mas logo começam a aparecer os afastamentos. Lamentavelmente, alguns adoecem aqui, mas não adoecem na rede privada”. Segundo ela, a média costuma ficar em 10% do contingente total de professores com licença, a maioria por motivos médicos. A secretária afirma que a mudança frequente de professores precisa de um tempo de adaptação e isso atrapalharia o ritmo das aulas e do conteúdo.

Negociações
Na próxima segunda-feira (31), professores da rede municipal fazem assembleia, mas, antes disso, Fátima Cardoso afirma que a categoria tenta uma audiência na Prefeitura, visando adiantar as negociações. Caso não seja apresentada nenhuma proposta à pauta dos servidores, será votado indicativo de greve.

Na pauta estão a implementação do horário de planejamento na folha de pagamento, concessão de horário de intervalo para o educador infantil, discussão sobre lei do quinquênio e projeto de unificação do plano de carreiras dos professores do Ensino Fundamental e da Educação Infantil que, segundo ela, estava previsto para o ano passado e não houve encaminhamento em relação a isso. Justina Iva considera como principal impasse nas negociações o pagamento das atividades de planejamento, porque os professores consideram na contagem hora-aula, como se uma aula de 45 ou 50 minutos fosse equivalente a uma hora no relógio, enquanto a Secretaria afirma que o estabelecido na legislação é a contagem com hora-relógio (uma hora correspondente a 60 minutos). “Não há razões plausíveis para uma greve. Não há dívidas com os professores e os recebemos toda semana”, disse. “Só haverá desgaste”.

 

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