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28/01/2014 - Greve dos professores no Rio Grande do Norte interrompe início do ano letivo

Uma das medidas a serem adotadas pela Secretaria de Educação como enfrentamento da greve será o corte de ponto dos professores. Foto Divulgação

Uma das medidas a serem adotadas pela Secretaria de Educação como enfrentamento da greve será o corte de ponto dos professores. Foto Divulgação

Carolina Souza acw.souza@gmail.com

Como prometido pela categoria, a rede estadual de ensino iniciou o ano letivo em greve. O novo cenário que remete às salas de aula fechadas foi confirmado na manhã desta terça-feira (28) em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sinte/RN) – data determinada pela Secretaria de Educação para o retorno das aulas.

Os professores alegam que o Governo do Estado não deu resposta à categoria sobre negociações definidas em fevereiro do ano passado. A paralisação dos professores será por tempo indeterminado.

De acordo com Fátima Cardoso, coordenadora geral do sindicato, o reajuste salarial, progressão horizontal e pagamento de um terço de férias aos professores não é suficiente para o Governo evitar a deflagração da greve. “O Governo Rosalba fez um acordo conosco no dia 28 de fevereiro de 2013. Em agosto houve uma repactuação desse acordo, mas até agora não tivemos todos os pontos cumpridos”, destacou Fátima.

Segundo a sindicalista, esses benefícios anunciados pela Secretaria de Educação, como uma forma de tentar impedir a greve, “não passa da obrigação do Governo”. “Esse Governo tem que saber cumprir com os acordos. Não dá mais para assinar nenhum documento com o Governo Rosalba. O que acontecer daqui para frente é de inteira responsabilidade dela. Estamos cada vez mais convencidos que o caminho que nos resta sempre será a greve. Vamos levar essa greve até a exaustão”, disse.

De acordo com o calendário da greve apresentado pelo Sinte, na tarde de hoje os professores deverão se encaminhar as suas respectivas escolas para anunciar à comunidade escolar sobre a decisão e informar os objetivos da greve.

Entre as reivindicações ainda em pauta, destaca-se a revisão do plano de carreira do magistério, redimensionamento do porte das escolas e gratificação dos diretores. Nesta próxima quinta-feira (30), haverá ato público na zona Sul de Natal, com concentração às 7h30 na Escola Estadual José Fernandes Machado. No mesmo dia, às 16h, outro ato será realizado na zona Oeste, com concentração em frente à rodoviária, na Cidade da Esperança. Na sexta-feira (31), um novo ato está programado para acontecer em frente à Assembleia Legislativa, às 16h.

Para secretária Betânia Ramalho, o sentimento é de “intolerância política”

Nesta próxima quinta-feira (30), haverá ato público na zona Sul de Natal. Foto: Divulgação

Nesta próxima quinta-feira (30), haverá ato público na zona Sul de Natal. Foto: Divulgação

Diferente do que alega o sindicato, a secretária de Estado da Educação, Betânia Ramalho, informou que a atual gestão vem procurando cumprir com todos os acordos firmados. Porém, o fato de os professores terem uma pauta “insaciável”, acaba burocratizando a máquina pública. “A pauta da categoria é imensa. Na medida em que nós vamos solucionando umas, eles aparecem com outras. Esse sindicato é um grupo que tem recursos. Eles chegam a receber R$ 4,5 milhões ao ano de consignação, mas o foco é sempre parar a rede”, disse.

Betânia afirmou que o Sinte/RN foi recebido na tarde de ontem por uma comissão da Secretaria, liderada pelo secretário-adjunto Joaquim Oliveira. “No início da audiência eles chegaram a afirmar que o problema da categoria não é com a nossa Secretaria, mas com a governadora Rosalba Ciarlini. Eles têm um sentimento de intolerância política que termina arriscando o trabalhado de uma rede inteira”, afirmou.

Uma das medidas a serem adotadas pela Secretaria de Educação como enfrentamento da greve será o corte de ponto dos professores. “Conforme fizemos no ano passado, iremos cortar o ponto dos professores que não forem dar as aulas. Com o funcionamento geral do SIGEduc (Sistema Integrado de Gestão da Educação), nós teremos controle de quem não estiver cumprindo com o calendário letivo”, destacou Betânia Ramalho. “Não podemos ser pressionados por um sindicato que não ajuda em nada. Não podemos dar credibilidade a um grupo como esse, que só quer partidarizar”.

 

Alunos e professores confrontam opiniões

Alunos da Escola Sebastião Fernandes, no Tirol, foram liberados por conta da assembleia. Fonte: Heracles Dantas

Alunos da Escola Sebastião Fernandes, no Tirol, foram liberados por conta da assembleia. Fonte: Heracles Dantas

Mesmo diante da realização da assembleia geral dos professores, alguns profissionais optaram por esperar o resultado da deflagração da greve em sala de aula. Foi o caso de da Escola Estadual Manoel Dantas, no bairro de Tirol.

Segundo a diretora Francisca Rosa de Melo, os professores dessa unidade escolar entraram em um consenso para não prejudicar pais e alunos. “Não sei se entraremos em greve, mas preferimos dar início ao ano letivo hoje para não prejudicar a comunidade que depende da gente. Inclusive, essa escola ainda não preencheu todas as vagas para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Esse vai e vem da Secretaria em abrir e fechar o período de matrículas, além da possibilidade de greve, acabou prejudicando o preenchimento de nossas vagas”, disse.

Vizinho à Escola Manoel Dantas funciona outra escola estadual, a Sebastião Fernandes de Oliveira. Lá, todas as turmas foram liberadas para que os professores pudessem participar da assembleia geral. O estudante Igor Mateus disse se sentir prejudicado. “Gostaria que aulas estivessem acontecendo, mas infelizmente temos que passar por isso. Amanhã voltaremos aqui para saber de fato se nossos professores farão greve”, disse.

Célio Silva, professor de Inglês da Escola Sebastião Fernandes, está em período probatório e resolveu aguardar o resultado na escola. “Hoje não é um dia em que eu deveria dar aula aqui, mas resolvi vir para pegar alguns livros e fazer alguns planejamentos de aulas. A greve é importante para a categoria, mas não sei se valerá a pena”, afirmou. Jayllane

Karolayne e Lucas Freire, alunos da Escola Estadual Winston Churchill, avaliam a greve negativamente. “Não sou a favor. Na maioria das vezes os professores não repõem as aulas, nós somos reprovados e ninguém faz nada por nós. Eles deveriam observar que estamos em ano de Copa [do Mundo] e já teremos pelo menos duas semanas sem aula”, disse Jayllane. “Só concordaria com a greve houvesse mudança. Mas normalmente não tem e nós somos prejudicados”, completou Lucas.

 

Fonte: O Jornal de Hoje - 28/01/2014

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