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12/11/2013 - "Escolas não passam no teste"

As escolas públicas e centros de educação infantil da rede municipal de Natal estão em situação preocupante. Foi o que apontou um levantamento feito pela Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Municipal (CMN). O relatório final do estudo foi apresentado ontem no na sede do legislativo.
O levantamento foi produzido em 30% das unidades educacionais da rede municipal, 20 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e 21 escolas. Diretores, coordenadores pedagógicos e professores, entre outros cargos dentro da escola, responderam a um questionário e expuseram o cenário do ensino público municipal.
Exatos 76% dos entrevistados consideraram que as salas de aulas das escolas visitadas estão em condições inadequadas. A ventilação é inapropriada, há problemas de acessibilidade, a iluminação deixa a desejar e o mobiliário é insuficiente. Mais da metade (52%) consideraram inadequados os banheiros e a cozinha (57%).
Ainda de acordo com o relatório, predomina a falta de manutenção e investimentos para que os espaços sejam enquadrados nos parâmetros mínimos de funcionalidade. Ainda nas escolas, 19% das avaliadas não têm laboratório de informática. Outros 43% são considerados inadequados. A situação é parecida quando se fala de bibliotecas: em 48%, quando existem, estão impróprias.
Salas de vídeo e sala multifuncional inexistem, respectivamente, em 52% e 43% das escolas.
Nos CMEIs a inadequação dos espaços é bem parecida com a realidade apontada mas escolas. Nestes espaços de formação infantil observou-se a inexistência total de laboratório de informática. Há apenas um com sala multifuncional e, das quatro salas de vídeos visitadas, apenas duas foram avaliadas como adequadas. As instituições estão localizadas em várias regiões da cidade e foram escolhidas mediante sorteio.
Um aspecto positivo é que a maior parte das escolas e Cemeis possui sede própria. No caso das escolas municipais chega a 81% do total. Contudo, ressalta o relatório, o ideal era que o percentual fosse de 100%. Já no quesito servidor, também há problemas. Há um número grande de profissionais terceirizados ou temporários, o que dificulta o enraizamento do servidor ao modelo pedagógico de cada unidade e isto repercute no tipo de educação oferecida.
Em relação aos alunos, por sua vez, o que mais chamou atenção foi a taxa de evasão escolar e desistência. No caso específico do Ensino para Jovens e Adultos (EJA), esta evasão responde por 70% do total. Em 2013 matricularam-se 2.476 estudantes deste segmento, 955 a menos que no ano passado.
A evasão, incluindo os estudantes da educação infantil ao EJA, representa um universo de 1.360 estudantes. Detalhe: há 362 vagas disponíveis para todas estas modalidades.
A educadora Cláudia Santa Rosa, que ajudou na realização do estudo, ressalta que o primeiro passo para uma mudança de realidade é a aceitação dos dados. “Por vezes temos alguma dificuldade em aceitar a realidade e buscamos encontrar justificativas para aquilo que não está bem. Temos, primeiro, que encarar os dados reais. Depois pensar em políticas mais duradoras e sistematizadas. Precisamos acabar com a ideia de apagar incêndios, resolvendo problemas de maneira pontual, quando há toda uma complexidade que está na base daquele problema”, atestou.
O relatório foi apresentado no plenário da Câmara sem a presença de nenhum representante do Executivo. O diagnóstico das escolas e CMEIs, no entanto, deve ser encaminhados formalmente à Secretaria Municipal de Educação.
A secretária municipal de Educação, Justina Iva, afirmou que ainda não recebeu uma cópia do relatório e que não vai se pronunciar até que conheça o seu conteúdo.

 

Fonte: Novo Jornal - 12/11/2013

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